Velhicismo: o preconceito contra os idosos

Velhicismo: o preconceito contra os idosos

Para a primeira palestra de hoje, com o título “Velhicismo”, chamamos ao palco Valmari Cristina Aranha, psicóloga com especialização em neuropsicologia e gerontologia e mestre em saúde pública. Atualmente é psicóloga encarregada do Hospital das Clí­nicas da Universidade de São Paulo e integrante da equipe do PREV Quedas, primeiro ensaio clí­nico para prevenção de quedas no Brasil. Por favor! Bom dia a todos! Eu agradeço o convite, à comissão organizadora, na pessoa da Cláudia, das coordenadoras do SESC, pela oportunidade de discutir com vocês um assunto tão importante, apesar de não tão agradável, mas é algo em que nós precisamos pensar para poder estruturar melhor as nossas propostas em prevenção de quedas.

Nós falamos muito da eficiência das nossas propostas, dos nossos métodos, mas a ideia é começar refletindo um pouco como nós enxergamos esse idoso que cai e o quanto da nossa postura e da nossa maneira de enxergar pode interferir nessa proposta e na adesão dos idosos aos programas e consequentemente na diminuição do número de quedas. Não está abrindo a tela aqui, alguém pode me ajudar? Agora sim, desculpe. Eu queria que vocês começassem pensando quanto é que nós temos que nos preparar para lidar com o envelhecimento, e nada é mais moderno do que envelhecer.

Nós escutamos isso por todos os cantos, mas qual é esse envelhecimento? Nunca envelhecemos tanto, tão rápido e nem sempre conseguimos nos organizar para lidar melhor com esse novo velho, que envelhece de uma maneira muito diferente e com os velhos velhos, aqueles que continuam envelhecendo daquela maneira tradicional e convencional. E muito ainda se organiza em função desses velhos velhos, que têm uma postura e uma maneira de se organizar e não nos preparamos para esse novo velho, que é alguém que pode nos ajudar e pode também se responsabilizar pelo seu envelhecimento e pelo seu planejamento e por todas as formas de prevenir não só quedas, mas tudo aquilo que pode fazer o envelhecimento ser ruim e sustentar esses preconceitos todos.

A velhice não é mais o que era uma vez, ou não é mais o que era antigamente. Só que, quando eu olho para esse idoso, eu trago essas representações que são minhas e que são fruto da minha história e de toda a construção que eu desenvolvo durante a minha vida. Eu, como profissional, eu, como filha, eu, como irmã, eu, como idoso, por que não? Nós não falamos aqui só dos não idosos. Então, abrir um pouco essa ideia, pensando não só nesse velho que está pronto, que é o velho que nós conhecemos, mas o velho que está em construção, que é esse envelhecimento que nós queremos construir, que nós queremos viver.

O quanto desse velho a ser, ou desse velho a se construir, pode vir livre de preconceitos e livre de algumas atribuições que algumas dessas imagens que estou mostrando trazem para vocês e nos remetem às nossas vivências e representações. Quando eu falo em “velhicismo”, velho o quê? O que é que é isso? Nós temos alguns termos que falam e que definem o preconceito em relação ao envelhecimento, e a nossa opção é a discussão do velhicismo. Na verdade, este é o terceiro grande “ismo” da nossa sociedade, e talvez o mais autorizado e o mais reproduzido nem sempre de maneira consciente. Muitas vezes, reproduzimos o preconceito de uma maneira inconsciente, de algo que seremos nós amanhã. Na melhor das hipóteses, iremos envelhecer. Então nós temos, bastando ter tempo para isso, poderemos viver e sofrer as consequências disso tudo que estamos discutindo aqui. E ainda é muito pouco discutido. Algumas definições, vocês veem que nenhuma delas é muito nova. Nós temos a definição desses preconceitos, desses estereótipos, em relação às pessoas simplesmente pela sua idade, porque quando nós falamos a idade, nós atribuímos uma carga a esse valor. Tanto que nós escutamos que o maior elogio é: “Você nem parece ter a idade que tem”.

Qual é a representação que tenho do que deveria ser você com a idade que tem? Como deveria ser uma pessoa com 70 anos? Não existe um único padrão disso. Nós não falamos velhice, falamos velhices, falamos em heterogeneidade. Mas, quando tratamos ou nos organizamos diante de uma proposta, tentamos reduzir esse signifcado a um único ponto. E essas imagens, ou todas essas representações estereotipadas que nós temos como definição de velhicismo, é como se o envelhecimento não fizesse parte do ciclo da vida, tivesse a ver com enfermidade, doença, solidão, e a pior parte é essa do final, como se o idoso fosse ví­tima do envelhecimento, como se o envelhecimento fosse alguma coisa que desse errado. Então, as pessoas não podem envelhecer, não podem ter rugas, e cair, que talvez seja a maior concretização da limitação.

É a queda, é a perda do controle. Então, pensar nessas representaçõesé e o quanto reproduzimos isso pode nos preparar para organizar melhor as nossas propostas e deixar as pessoas envelhecerem em paz, ajudando-as a cuidar daquilo que é inerente à doença e não naturalizando isso como o processo de envelhecimento. Nem sempre foi assim. Nós sabemos que o velho, em algumas culturas, as culturas pré-históricas e algumas culturas orientais, o velho era tido como alguém detentor da sabedoria, detentor dos conhecimentos, da transmissão cultural, os professores, os grandes mestres, e hoje nós temos uma ideia um pouco diferente em relação ao envelhecimento porque a nossa cultura mudou, os valores mudaram, a hegemonia do corpo, a hegemonia da sociedade de consumo, o aumento da população idosa. Então, hoje questionamos o quanto o idoso é minoria ou não será minoria por muito tempo, à medida que a população envelhece e se mantém ativa e atuante. Isso tudo culmina numa reprivatização da velhice como temos algumas discussões. O quanto essa responsabilidade não é nossa e é do velho porque ele envelheceu mal? Poder discutir sobre prevenção de quedas, nos organizarmos para polí­ticas que ajudem as pessoas a lidar com seu envelhecimento não culpabilizando e responsabilizando porque estamos fazendo parte de um processo, envelhecemos em comboio, e não é só o outro que envelhece.

Mas eu vou discutir um pouquinho porque não queremos pensar sobre isso ou quanto é difí­cil nos apropriarmos dessa condição. Existem atitudes discriminatórias quanto ao envelhecimento, quanto ao idoso e todos nós conhecemos muito bem as negativas, que são as exclusões, as ideias pré-concebidas, sejam em função de crença, de posicionamento, questões estruturais, desde os serviços sociais que não conseguem dar conta das demandas do idoso, uma família que não consegue cuidar de um idoso adoecido.

Mas eu acho que temos que nos preocupar muito com esses preconceitos positivos ou positivistas, algo que também faz mal ao idoso à medida que atribuí­mos a eles estereótipos positivos, entre muitas aspas essa definição, que ele é bonzinho, que ele é sábio, isso também é uma forma de preconceito à medida que eu não o trato como um igual e tendo a minimizar responsabilidade, compromisso, desconsidero a influência do idoso. Quando vamos estudar a importância ou as atitudes dos profissionais de saúde, nós, muitos não tratamos o idoso como tratamos um jovem, não oferecemos todas as informações, não damos atenção a todas as queixas, porque idoso é assim mesmo, na verdade, ele reclama, mesmo, ele tem problemas, mesmo. Isto é uma forma de preconceito das piores e que é muito velado e socialmente autorizado.

A grande dificuldade disso é que nós interiorizamos esses preconceitos, os idosos internalizam esse autoestereótipo, e nós acabamos reproduzindo. Aceitando, reproduzindo e instituindo. Para alguns idosos, ser orientado a participar de um grupo de idosos é quase uma ofensa, como se você o estivesse mandando para um lugar ruim. Obrigado. Para um lugar ruim onde só há pessoas que não estão bem, e, na verdade, é um grupo onde há iguais. Mas eu consigo enxergar essa limitação e essa dificuldade no outro, mas eu não quero partilhar disso, eu quero parecer algo que não idoso, se as minhas representações quanto ao que é ser idoso é algo negativo.

Falar do não idoso, e nós temos muitas discussões e muitos trabalhos interessantes sobre isso, falar em nós e eles, hoje é um tanto complicado, mas a ideia é que nós não nos incluí­mos. E é comum escutarmos dos idosos o “eles”, mesmo num grupo com pessoas idosas, de que eles consigam se apropriar. Então, somos nós, nós temos que mudar a nossa casa, nós temos que mudar as nossas condutas. Eu não posso esperar que o outro mude. Mas se a minha representação sobre o envelhecimento é muito negativa, eu não quero me identificar com essa condição. Então, o velho é sempre o outro. O velho é um jovem que envelheceu. Ninguém nasce velho. Da mesma maneira que o envelhecimento pode, sim, ser considerado como continuidade, parece que as pessoas caem de paraquedas na velhice e não conseguem se responsabilizar por algumas mudanças. E isso é reproduzido também.

As pessoas pensam pouco sobre envelhecimento até que algo aconteça, de preferência algo externo, e me avise de que eu envelheci. Ou que eu tenha uma queda e tenha uma limitação, daí é que vou começar a pensar que preciso mudar alguns hábitos. Hoje, isso mudou bastante, temos algumas perspectivas de mudança nessa direção, mas a população com quem convivemos hoje, que é idosa hoje, não passou por esse processo de conscientização. Quantas vezes eu escuto nas minhas atividades: “Vocês tinham que ter me falado isso 20 anos atrás, agora não dá mais tempo”.

Mas por que é que alguém tinha que ter falado? As pessoas não param para pensar? Eu falei lá no começo: “Envelhecer é algo novo, a longevidade é algo novo”. Mas não estou falando de 5 ou 10 anos atrás. Então, o quanto uma resistência emocional em relação ao envelhecimento impede que as pessoas consigam se prevenir e reproduzam esse preconceito e se coloquem como vítimas desse preconceito para justificar. E a ideia é que possamos considerar esse preconceito, mas tirá-lo do cenário como protagonista. Que ele venha, mas não como o ponto principal a ser discutido. Por que é que isso acontece? O que é que nós temos de mudanças? Todas as mudanças contemporâneas, os valores da pós-modernidade. Tudo muito rápido, tudo muito ágil, tudo muito substituí­vel. E a velhice vem deslizando lentamente para fora do campo simbólico e ela se afasta dos valores da modernidade. A juventude, a sedução, a vitalidade, o trabalho, o desempenho, a rapidez, a agilidade.

O idoso, ele vem na contramão de tudo aquilo que gostaríamos de ser ou que achamos que deverí­amos ser. Então, quando eu olho para um idoso que não tem determinadas caracterí­sticas que nós imaginamos que alguém tenha que ter hoje para ser bem-sucedido, ou para se sentir incluí­do no mercado de consumo, ou se sentir produtivo, eu também posso olhar para esse idoso e pensar que eu posso ser ele amanhã. E eu posso não querer olhar para ele, eu posso ter as minhas dificuldades pessoais que me permitem distanciar-me sem ter consciência das consequências disso daquele com o qual eu estou me distanciando. A invisibilidade do envelhecimento, a queixa do idoso que não é olhado, que não é atendido, por uma dificuldade de quem dirige o olhar ou de quem não consegue dirigir o olhar.

E ainda temos muitas dificuldades quanto ao conhecimento sobre o envelhecimento. Nós temos muitas imagens, conhecemos os idosos das nossa famí­lia e se esse idoso da nossa famí­lia não é uma pessoas muito estável emocionalmente ou é uma pessoa de difí­cil contato, a chance que eu tenho de achar que todo idoso é igual é muito grande. Então, também temos responsabilidade em disseminar o que é o envelhecimento possí­vel. Não também aquele envelhecimento da capa da revista, que é 1% que vai ter. Porque, se eu vendo uma imagem de que o envelhecimento bem-sucedido é perfeito, e a maioria de nós não é perfeito, ficaremos frustrados. Todas as representações sociais e culturais que vamos desenvolvendo e carregando durante a vida. Temos algumas influências além da idade. Embora o velhicismo se sustente na idade, ele é pior para as mulheres, ele é pior para os negros, ele é pior para as pessoas de classes econômicas desfavorecidas, então, nós temos alguns fatores, para os viúvos, para as pessoas que moram sozinhas. Estas condições do estilo de vida também trazem e reforçam esses preconceitos.

Existe um discurso “anti aging”, todos nós conhecemos e nos desviamos disso o tempo todo, e que transforma em traidor ou inimigo um corpo que envelhece. Nós temos que combater o envelhecimento ao invés de nos aliarmos às suas limitações E temos que pensar nisso quando trabalhamos com nosso idoso que cai. Porque ele cai porque ele é teimoso? Ele cai porque não tira o tapete da casa dele? Ou ele cai porque ele também tem uma outra limitação que independe da vontade dele? Só que se eu já venho com aquela ideia pré-concebida, eu tendo a colocar todas as informações num mesmo cesto.

E os programas precisam ser individualizados, a atenção àquele idoso precisa ser individualizada porque ele é um sujeito. E ele, como sujeito, traz algumas especificidades que precisam, sim, ser respeitadas e não combatidas, senão não teremos a adesão das pessoas aos nossos programas. Velho lembra finitude e desperta fantasias nossas em relação à própria morte. É alguém que está morrendo na minha frente, e a morte é um problema dos vivos. O Nobert Elias já falava disso há muito tempo. Na verdade, não é a morte, mas é o conhecimento da morte. Porque, ante à morte do outro, eu penso na minha morte. Eu olho para o idoso e eu posso pensar o idoso que eu quero ser, mas eu também posso pensar no idoso que eu não quero ser.

Então, à medida que eu posso pensar no idoso que eu não quero ser, eu deveria me perguntar: “O que eu estou fazendo para não ser como essa pessoa que hoje apresenta uma série de limitações?” “Ah, não, mas velho é assim e velho vai ficar todo mundo desse jeito”. Nós brincamos às vezes: “Ah,mas nós vamos ficar assim?” Na melhor das hipóteses. Então, vamos nos cuidar para minimizar algumas dessas consequências ao invés de tentar anular todas essas consequências. E quais seriam essas consequências? Começam na postura profissional. Nós temos números assustadores ou preocupantes em relação aos profissionais que se preocupam em trabalhar com envelhecimento. Então, nós temos muitos menos geriatras formados capazes de atender uma população que cresce cada vez mais e é um mercado financeiro interessante. Por que é que as pessoas não querem trabalhar com idosos? Nós encontramos nos nossos serviços pessoas que evitam atender o idoso sob o argumento de que não têm paciência, ou “vai, você, que você é mais tranquilo, você é mais paciente” e esta caracterí­stica do idoso, sendo um problema e um diferencial para a execução de algumas práticas com coerência e com eficiência. Para um sujeito que demanda por um tipo de intervenção que é mais complexa.

Abuso, maus-tratos e negligência. Também dispensam maiores esclarecimentos. Quantos idosos caidores não são atendidos porque eles não contam para ninguém que eles caíram, as pessoas não perguntam ou não estão próximas desse idoso, tendendo a um isolamento social, e também um outro ponto que é o receio que temos de invadir o espaço do idoso. Então, o quanto respeitamos a autonomia e o quanto somos negligentes? E um respeito exarcebado a uma autonomia sem condições fí­sicas e cognitivas de manutenção dessa autonomia também é uma forma de preconceito. Porque eu acabo me tornando ausente na vida de alguém que precisava ser assistido e precisava ser atendido em algumas necessidades. Por outro lado, a superproteção. Nós também temos na prática o quanto a superproteção fecha um ciclo e aumenta o risco de quedas à medida que o idoso cai uma vez, então, caiu, vai cair sempre, a família não o deixa fazer mais nada, leva para todo lugar, ele não sai mais de casa sozinho, ele vira de cristal, daí­ não faz atividade, não se socializa, perde força muscular, perde mobilidade, perde equilí­brio, cai de novo.

“Está vendo? Cai, porque caiu”. E, na verdade, não, porque está superprotegido ou porque está impedido de realizar e reorganizar as funções que sempre reorganizou. A exclusão, baseada nesses estereótipos e preconceitos, acaba por limitar o acesso dos idosos aos recursos sociais, culminando em sentimentos de baixa autoestima, de isolamento, e isso interfere em que a pessoa se mantenha ativa e busque programas ou propostas de reinserção social onde ela possa conviver com os seus pares e com pessoas que também estão em boas condições.

Por vergonha, por receio, por medo. Então, o medo é algo que pode refletir, sim, situações e vivências de exclusão e preconceito. A internalização desse lugar e desse papel de limitado, de incompleto, de falho, que esse preconceito traz para o idoso, pode impedir que as pessoas busquem transformação e melhorem a sua qualidade de vida. Vivemos num tempo em que o corpo é alvo de estratégias mercadológicas que de modo geral reforçam noções de disciplina e de controle. Então, nós temos a ilusão de que podemos evitar tudo. E não podemos. A queda é uma falta de controle sobre o próprio equilí­brio, sobre o próprio corpo. E o quanto isso, para muitos idosos, traz a constatação do envelhecimento, da limitação, da morte, da impotência.

A sensaçãode cair é muito ruim, ela concretiza sentimentos emocionais de naturezas muito intensas. E o quanto isso precisa ser respeitado e incluído também nas nossas informações, porque negligenciar isso també é uma forma de preconceito. Somos contemporâneos a era do ciborgue, quem é mais velho se lembra muito disso, o quanto hoje nós vivemos realidades ilusórias muito próximas disso, à medida que temos cosméticos, fármacos, implantes, próteses, tecnologias, algumas delas vestí­veis ou ilusórias em relação a um não envelhecimento, mas nada disso nos livra de algumas limitações, nada disso nos livra do envelhecimento. Então, ao invés de tentarmos usar algumas técnicas como aliadas, tentamos usar algumas técnicas como milagres, ou como se aquilo pudesse impedir e isso nos impede de trabalharmos o possível. São vendidas algumas ilusões e não temos condições de tirar essas ilusões sem oferecer algo coerente em troca, sem oferecer uma forma de envelhecimento que seja palatável, mesmo que não seja aquela ideal ou aquela fantasiosa.

Juro que não sou eu. E, para finalizar, como nós podemos mudar ou como nós podemos interferir neste cenário? Este cenário está dado, o preconceito existe. O primeiro ponto é não negar e não negligenciar. Falar deste preconceito, entender este preconceito e criar oportunidades de se desconstruir este preconceito para que a gente possa criar um espaço onde outros modos de envelhecimento também sejam possí­veis e que sejam interessantes, e que o velho não é só aquela representação da doença, da limitação, da impotência, do sofrimento, mas que é alguém que está aqui, que vai trabalhar com prevenção de quedas, é alguém que está trabalhando, é alguém que está viajando, que está namorando, é alguém que está exercendo a sua cidadania, deve estar na rua também fazendo manifestação, defendendo as suas ideias.

Então, esse novo idoso está preparado para construir e lidar melhor com este preconceito, mas ele precisa de uma interlocução, porque à medida que nós velamos este preconceito ou que nós não o autorizamos a falar sobre este preconceito – porque é difí­cil falar sobre algo que é ruim, e algo que é ruim e que eu também posso vivenciar, porque estou no caminho, eu também estou envelhecendo, é algo que precisa e demanda de um expediente do profissional para isso. Independentemente da área de formação, desde que nos propomos a trabalhar com gerontologia. O convívio intergeracional vai, sim, facilitar muito disso, à medida que possamos ter amostras diferentes de idosos diferentes e não só daquele idoso que é o da nossa famí­lia ou é o nosso vizinho que briga conosco e porque a gente estaciona na frente da casa dele, e é essa imagem que fica gravada na vida de muitos de n´´os, e o quanto propostas que mantenham isso desde muito cedo, com as crianças, que as pessoas possam ter essa oportunidade.

E a construção científica de conhecimento acerca do envelhecimento possí­vel. E que saia da dualidade normal e patológico, negativo e positivo. Porque nós tendemos a essa balança que nem sempre se equilibra, então ou é isto ou aquilo. Nós temos isso na prática com algumas propostas em relação à prevenção de quedas e o quanto nós tentamos fazer algumas mudanças de hábito, e as pessoas resistem. Desde um sapato que ela não quer tirar. Tudo bem, então, é o salto? É o salto, mas qual é o salto menos perigoso? Não é o Luí­s XV? É um salto anabela? É um salto quadrado? Porque não adianta, eu tenho que respeitar esse indiví­duo e eu tenho que me aliar a uma história de vida e não trazer a minha verdade como a única.

E uma outra… Meu Deus! E, na verdade, envelhecendo. Acho que a grande proposta… À medida que as pessoas envelhecem, aprendem a envelhecer, constroem um envelhecimento diferente, é possí­vel desmitificar alguns estereótipos. E o como nós podemos lidar com este envelhecendo, não só aprendendo a lidar com as dificuldades próprias do processo de envelhecimento, mas aprendendo a lidar com as próprias dificuldades em relação ao processo de envelhecimento, porque muito do que nós resistimos não é pela dificuldade, é porque eu não aceito ter determinada dificuldade.

Eu gostaria muito que nós iniciássemos os nossos trabalhos refletindo sobre o quanto temos algumas dificuldades e o quanto essas dificuldades podem ser transpostas para que nós possamos ter uma adaptação àquilo que é inevitável, àquilo que é inerente, e que cada um de nós possa ter isso aberto e refletido não só para as pessoas que nós assistimos, mas também para nós mesmos, porque, na melhor das hipóteses, seremos os velhos de amanhã. Obrigada pela atenção! .

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